quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pirataria e #PreçoJusto


PIRATARIA E #PREÇOJUSTO

É de causar risadas ver as autoridades se remexerem em seus cargos, e darem pulos, ao se darem conta de que a pirataria está tomando proporções gigantescas, e que esses poucos políticos não têm forças para lutar contra o caos que isso está se tornando dentro do país.

Em primeiro lugar, é importante expor a atual situação em que se encontra o nosso enfermiço Brasil.

As pessoas estão em suas casas, sentadas na sala assistindo ao jornal, por exemplo, e aí se deparam com um comercial muito atraente onde mostra um produto incrível de última geração.

“Eba, adorei e quero um!” – No outro dia, o mesmo cidadão que vira o comercial no dia anterior, se dirige a uma loja para “tentar”comprar o produto.
“Oi, quero o produto tal, quanto custa?” – O vendedor dá um agradável sorriso, e trás o produto até o nosso amigo consumidor e diz: “O olho da sua cara, se der o outro, pode levar também esse brinde.”

Nosso amigo sai da loja frustrado e já na calçada ele vê um rapaz com um sorriso igual ao do vendedor de ainda há pouco e oferecendo a ele o mesmo (similar) produto, porém, este custa apenas algumas notas do dinheiro que nosso amigo tem no bolso.

Não estou fazendo apologia ao crime de pirataria, só estou expondo a realidade do problema, como dissera antes.

Há alguns dias, eu assisti a uma reportagem sobre uma grande apreensão na 25 de março em São Paulo. Mais de 30mil reais em mercadorias piratas haviam sido apreendidas pela polícia por causa de uma denúncia feita pela própria emissora que fizera a matéria sobre o assunto – o que me leva a acreditar naquele velho ditado de que “se você não tem uma notícia, crie uma” – mas, por hora, este não é o assunto que quero abordar aqui hoje. O fato é que ninguém acabou com a pirataria através dessa apreensão, e acreditem, não vão acabar.

Ninguém compra produtos piratas porque quer.

“Ah, mentira, compra sim, se faz é porque quer!” (Hipótese de comentário estúpido).

Sim, ignorante, quem faz qualquer coisa, geralmente, é porque quer, mas se prestares atenção no que está sendo dito aqui, saberás o que quero dizer exatamente.
Porém, para os que são ignorantes e sustentam um pensamento como o descrito acima, vou explicar melhor o que quero dizer. O fato é que o que se paga em um produto eletrônico, por exemplo, no Brasil, é o dobro, ou em muitas vezes o triplo do que seria pago no exterior. 
Claro e obviamente que se um produto original fosse tão acessível quanto um pirata, ninguém escolheria pagar pelo pirata. 

Isso não ocorre somente com os eletrônicos, pois com produtos mais simples como discos musicais também acontece, e talvez em proporção bem mais dilatada. Existem milhões de fãs de artistas do mundo da música no Brasil que se vêem obrigados a baixar os álbuns de seus ídolos na internet, ou mesmo comprá-los em bancas de CDs piratas, porque é inviável pagar uma fortuna para adquirir os álbuns de forma legal.


As pessoas pagam tantos, tantos e tantos impostos sobre tudo o que compram que não há outra opção. Ou o consumidor compra um similar, ou vai passar a vida trabalhando para conseguir tirar um original da loja.

Segundo explicações do diretor técnico do IBPT, João Eloi Olenike, são destinadas alíquotas mais altas para os produtos mais desnecessários à população e taxas menores aos considerados mais essenciais, como os itens da cesta básica:

– A carga dos jogos de videogame é alta porque são considerados supérfluos. Para ter uma idéia, o IPI deste produto é de 50% – afirmou.

(Lazer é supérfluo? Fica a dúvida).

Há alguns meses eu assisti a um vídeo produzido pelo ator e vlogueiro Felipe Neto em que ele citava exatamente esse problema de impostos sobre produtos importados, com ênfase nos eletrônicos, e achei muito bacana por parte dele estar dando um empurrãozinho e levantando questionamentos sobre esse absurdo.

Juntamente com o vídeo postado por ele no site Youtube.com foi anexado um link de um manifesto online que recolhia assinaturas para um abaixo assinado com o objetivo de tentar derrubar esse imposto, e deixar os produtos mais acessíveis a quem almeja tê-los sem ter que tirar os olhos da cara para isso.

Eu ouso dizer que sou mais respeitado fora do Brasil do que dentro de suas fronteiras.
Também ouso dizer que o brasileiro aprendeu a aceitar e conviver sendo violentado e abusado diariamente, e ainda sorri com isso. O primeiro passo é aceitar que você está sendo lesado, e tomar um atitude em seguida. Acorde.

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Reações:

2 comentários:

  1. Qual seria o preço justo de um livro ou de um CD? E depois que estabelecemos no Brasil a cultura de baixar de graça da Internet cópias de livros e CDs que ali foram colocadas à revelia do interesse de seus autores, será que o preço justo de um livro ou CD motivaria as pessoas a adquiri-los legalmente?

    Sobretudo o mercado editorial é o que mais sofre com a pirataria. Não há como remunerar um escritor ou tradutor a não ser através da venda dos livros. E cerca de 40% a 60% do valor de capa do livro fica com as livrarias e distribuidores. Ao contrário dos músicos, que podem se dar ao luxo de disponibilizar suas músicas na Internet para angariar fãs e ganhar com shows e turnês, ao escritor e tradutor não há alternativa. Quem consome livro pirata destrói esses profissionais e desconhece os custos envolvidos na produção de um livro - que, afinal, não é um gênero de primeira necessidade e sua falta não trará dano algum à saúde ou a vida do consumidor que não o adquiri no exato instante de sua necessidade...

    Houve um tempo em que a vontade de adquirir bens levava as pessoas a querer melhorar de vida, trabalhar mais e economizar para poder comprá-los. Hoje, parece que as pessoas perderam a capacidade de se frustrarem e, o que é pior, aproveitar a frustração para dela tirarem um bom incentivo para crescer. Mais fácil ir ao camelô da esquina ou ao site que disponibiliza livros gratuitamente, sabe-se lá com que objetivo...

    Nenhum produtor de bens culturais sério - seja escritor, músico, artista plástico, fotógrafo, etc. - pode ser totalmente favorável à pirataria. É um tiro no próprio pé de toda uma categoria que dificilmente consegue ser reconhecida como profissional e merecedora, por isso, de remuneração pelo que faz.

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  2. Você tem razão sobre o custo de um livro, por exemplo. Estes já têm seus valores muitíssimo acessíveis, pagar de 20 a 30 reais em um livro, pra mim não é caro, e acredito que pra muitos fãs da literatura também não seja, pois vale mais pra mim poder ter um exemplar de um autor ou história da qual sou fã na estante do que uma cópia no pc, cópia esta, mal escrita e cheia de erros. E em relação a cds, também preferiria ter os originais dos meus ídolos, mas é também verdade que os impostos são muito altos, ou as produtoras cobram absurdos em cima destes originais, o que impossibilita muitos fãs de tirarem os seus da loja. Cds que facilmente poderiam custar ate 50 reais, não saem das lojas por menos de 100. Falo por experiência própria.
    Mas a verdade é que este é um assunto que deve ser revisto, e analisado por cada consumidor, e ver se vale mesmo a pena pagar o que nos pedem pelos produtos.
    Muito bom o comentário, e uma opinião assim, a qual se possa ser discutida, é de suma importância para a resolução de um assunto como este.
    Obrigado.

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